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Archive for agosto \28\UTC 2009

Escrevi esta crônica para a aula de Crônicas da Regininha, há uns bons 3 anos atrás.

Revirando meus arquivos, encontrei, e ainda gosto dela, por isso, fica aqui.

O homem que queria ser santo

Depois de tantos anos dedicados a Igreja, ele decidiu que iria ser santo. Tirou fotos com a bíblia nas mãos, olhando imponente para as lentes do fotógrafo, vestido com a já conhecida túnica de frei. Já tinha lá quase seus oitenta anos, quase sessenta dedicados à paróquia. Acordava todos os dias, às seis da manhã, para rezar nos hospitais da cidade e as sete e meia já estava rezando a primeira missa do dia, freqüentada pelas mesmas carolas assíduas de sempre.

Um dia uma das carolas mais próximas comentou: Frei Policarpo, o senhor vai ser santo! E não é que ele gostou da idéia? A partir daquele dia começou a espalhar a futura e fatídica verdade: nascera para se tornar santo. Ainda não tinha milagre, mas recomendou as moças da igreja a trocarem a imagem de Santo Antonio do altar pela foto dele. Se rezassem toda noite, fariam com que intercedesse junto a Deus pela nobre causa do matrimônio. O fato de ele ainda estar vivo- vivinho da Silva- não impedia que se comunicasse assim, tão de perto, com o Senhor nosso pai. A verdade era que ele, como futuro santo, já tinha o caminho aberto, e podia furar a fila dos pedidos.

Ele esquecia de para quem havia dado a foto. Muitas mulheres ganharam mais de uma. E colocaram todas em belos porta-retratos, para melhorar suas chances. Chegava Policarpo todo faceiro, perguntando: Querem uma foto de um homem que vai ser santo? Elas queriam. Olha o sonho de conhecer em vida, um homem que só seria reconhecido pela santidade após a morte?

Tenho cá pra mim que era santo mesmo. Quando criança, na época da catequese, a missa favorita de todas as crianças era a dele. Não por que todas gostassem de missa – iam pela mais pura obrigação. E bem por isso gostavam tanto. Frei Policarpo pulava tudo que não interessava realmente e fazia a missa de uma hora se enxugar para apenas 15 minutos. Sim! Quem se atrasasse corria o risco de chegar já na oração final, e vão em paz e  que o senhor vos acompanhe!

Nunca entendi por que tanta pressa. Acho que ele, apesar de ser padre, também não gostava daquela enrolação. Virgem Maria já devia estar cansada de ouvir Ave Maria tantas vezes. Logo, ele resumia: Ave maria…nossa morte. Amém. Falava tão rápido e enrolado que para os mais desavisados cortava todas as palavras do meio.

Começou a se dedicar então a vida de santidade. Rezava em qualquer lugar, a qualquer hora e por qualquer causa. Estava lá, na paróquia, sempre para atender aos mais necessitados.  Mal almoçava já voltava para a paróquia, e se alguém precisar de uma benção? O que é que vão fazer? Ia nas casas com muitos insetos, detetizava pela oração. Depois chamavam o detetizador, ma só pra reforçar.  Rezava casamento, rezava em velório, batizado, aniversário o que fosse necessário. Sempre com a mesma rapidez, aquela do Pai Nosso…livrai-nos do mal. Amém. Assim, resumido.

Havia os que pulavam ou seguravam a fila da confissão para se confessarem com o Frei Policarpo. Incrível que quando eu tinha 10 anos ele já era velho. E continua lá: velho e do mesmo jeito. A santidade conserva, só pode. Mas enfim, era bom se confessar com ele. Um velhinho que não escuta direito e mandava rezar ave maria pelos pecados, terríveis pecados infantis, só podia ser santo. Tive de rezar a Ave Maria. Tinha brigado com minha irmã. E falei tão rápido que acho que nem ele- santo das missas rápidas- escutou. Enfim, mandou rezar a Ave Maria, e que venha o próximo. Santo. Santo Policarpo, rogai por nós e abençoai as missas rápidas.Amém.

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I did the translation, sorry if you find mistakes.

Antes que seja tarde/ Before it is too late

olha, não sou daqui

Look, I am not from here
me diga onde estou

Tell me where I am
não há tempo não há nada

there is no time, there is nothing
que me faça ser quem sou

that makes me to be who I am
mas sem parar pra pensar

but without stopping to think
sigo estradas,sigo pistas pra me achar

I follow roads, I follow signs to find myself

nunca sei o que se passa

I never know what happens
com as manias do lugar

With the habits from the places
porque sempre parto antes que comece a gostar

Because I always leve before I start liking
de ser igual, qualquer um

Being the same, as anyone
me sentir mais uma peça no final

Feeling in the end as one more piece
cometendo um erro bobo, decimal

Making silly mistakes

na verdade continuo sob a mesma condição

Actually I am still in the same condition
distraindo a verdade, enganando o coração

Distracting the truth, and fooling with my heart

pelas minhas trilhas você perde a direção

From my tracks you loose the direction
não há placa nem pessoas informando aonde vão

There is no signs, no people, informing where to go
penso outra vez estou sem meus amigos

I think, again I am without my friends
e retomo a porta aberta dos perigos

with the danger door open again

na verdade continuo sob a mesma condição
Actually I am still in the same condition

distraindo a verdade, enganando o coração

Distracting the truth, and fooling with my heart

na verdade continuo sob a mesma condição

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My last minute approach crosses the edge sometimes: one day AFTER living Madrid, I start a blog. The general rule says people do that when they are arriving, not leaving. Well, a story can be told from any point on time, even backwards.

Maybe its because I had such a great time in Madrid I did not stop to think about it and to tell about it. Maybe because I met so many great people, and I was using my time in a more clever way, taking advantage of the limited time we had to spend together. Maybe because you don’t realize how great something is until it is over. Maybe yes. Maybe not. Maybe.

I still remember the day I arrived in Madrid, when I was going from the airport to the hostel, in a taxi conduced by a veeeery cute Spanish taxi driver ( I am usually lucky with that), and amazed by everything I was seeing. And also, with that “butterflies in the stomach” feeling, thinking on what would happen this year, what Spain would bring me new, on who I would meet, who would be my friends, where I would live (because yes, I arrived with only 3 days booked in a hostel, and nothing else). As usual, I have much more luck than anything else…

Even having spent a lot of time closed in my apartment studying endless cases and preparing tones of reports, it was an amazing year in many, many senses. I made friends that I will take forever in my life, that can count on me, and that I know I can count on.  I learned a lot, and not only from that cases. I had time to think, what might seem ridiculous, but most people don’t. I think I am not one, but much more years older now.  I think I changed a lot, what for me is wonderful.

Of course, that are many things I could have done more: travelled more is one of them. The strict budget, and the crazy schedule from the master didn’t allow me. Or its bulshit. I am disorganized, and my last minute approach does not work well with low budget airlines. I also did not learn how to dance flamenco, didn’t do any sports ( and as a consequence I am some kilos above my normal weight now).

As there are many things I would like to have done, I do not regret anything that I did. But it is terrible to regret what you didn’t do. Its always an “what if…” feeling that I hate! You will never know what would have happened if…

Once I was talking to Alberto, one of the big friends I made there, and he was saying that, going back home, he would like to remember the year, and be with a smile up on his face. That’s the feeling now, resumed to a smile. Still a little bit sad, for everything that stays behind, but very happy for having such great memories, and for what is expecting me ahead.

Anyways, you need to close a door before opening a new one. And I am closing the Spanish door to open a French one. Again, with the “butterflies in the stomach”, I am wondering what Marseille will have to offer.

Maybe that’s why I don’t plan anything: real life offers better surprises than any writer could think about. Much better than any plan.

Bonjour France!

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